Parte de dinheiro desviado da UTFPR era investido em imóveis, segundo a PF
Parte do
dinheiro desviado do campus da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) em Cornélio Procópio, no norte do estado, era investido em imóveis, segundo a Polícia Federal (PF).
Devanil Antonio Francisco é considerado o chefe do esquema investigado pela Operação 14 Bis, deflagrada na segunda-feira (12), e que apura desvio de R$ 5,7 milhões da instituição de ensino, entre 2008 e 2015. Ele foi um dos 20 presos na ação.
14 Bis é o nome da empresa criada por Devanil para gerenciar imóveis, conforme a PF.
Segundo a investigação, o ex-diretor é o dono de 32 quitinetes em um condomínio que fica a quatro quadras da universidade. Em outro prédio, que fica a duas quadras da UTFPR, ele é dono de 27 quitinetes, algumas com sacada, ainda conforme a polícia. De acordo com a PF, os imóveis estão alugados, principalmente para estudantes.
Na lista de bens do ex-diretor também está um terreno de 1,6 mil metros quadrados, onde está sendo construído um prédio de 16 andares. Em maio de 2017, um apartamento no edifício era vendido por R$ 600 mil.
Para a Receita Federal, o patrimônio do ex-diretor é incompatível com o salário que recebia na universidade.
“Com os documentos em mãos, nós vamos fazer um trabalho de fiscalização mais detalhada para poder tentar recuperar parte daquilo que foi desviado da União”, detalhou o delegado da Receita Federal Luis Fernando Da Silva Costa.
Já o delegado da PF Nilson Antunes afirma que Justiça decretou o sequestro de todos os bens e imóveis e também das contas dos principais investigados na operação.
O outro lado
A defesa de Devanil Antônio Francisco informou que a empresa 14 Bis é uma administradora de bens familiares.
Disse também que toda receita para a construção dos imóveis está declarada em imposto de renda, que comprova a licitude da natureza dos recursos.
Por fim, o advogado informou que, durante a instrução processual, serádevidamente comprovada a inocência do ex-diretor.
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Parte de dinheiro desviado por ex-diretor da UTFPR era investido em imóveis, segundo a PF (Foto: RPC/Reprodução)
Investigações
As investigações apontam que serviços de manutenção dos prédios, lavagem de carros e conserto de ar condicionado seriam superfaturados. Havia também pagamento por serviços que não foram feitos.
A operação prendeu 20 pessoas na terça-feira, mas após audiência de custódia 16 delas foram soltas. A PF entendeu que os investigados não ofereciam risco às investigações. Seguem presos quatro pessoas, entre elas está Devanil Antônio Francisco.
Para a Polícia Federal, a investigação não acabou. Documentos apreendidos vão passar por perícia para identificar outras irregularidades.
O órgão apura ainda se o esquema de corrupção descoberto em Cornélio Procópio provocou prejuízo em outras regiões do país. A suspeita existe porque as empresas envolvidas nos desvios na UTFPR prestamserviços a outros órgãos públicos.
Esclarecimentos UTFPR
Em nota, a UTFPR informou que logo que recebeu as denúncias de irregularidades no campus, no segundo semestre de 2015, deu início às apurações por meio de auditoria interna e afastou os servidores envolvidos nas acusações.
A partir disso, reforça que foram abertas sindicâncias e processos administrativos que resultaram nas demissões de dois ex-diretores, incluindo Devanil Francisco.
A UTFPR ressalta que tomou todas as providências que eram da competência da universidade para que o patrimônio e a moralidade da administração pública fossem preservados. A instituição reforça ainda que vai continuar contribuindo para que as investigações sejam realizadas de forma rápida e efetiva.
G1

