Tião Mulinha, um mito que parte e entra para na história da cidade

Texto do Jornalista Ataíde Cuqui

Virada cultural

Ele se foi e, com toda a certeza, deixa na lembrança da população a imagem de um grande artista que, ao longo de sua vida, fez a alegria de crianças e adultos. Morreu Sebastião Otávio de Souza, ou, simplesmente, “Tião da Mulinha”, como todo mundo conhecia esse mineiro que faleceu na madrugada deste domingo aos 89 anos. A nós, fica a saudade e um grande legado histórico.

Pessoalmente, conheci o Tião em fevereiro de 64, quando, em um domingo, vim do Quinzópolis e fui direto ao rádio onde ele mantinha um programa para vê-lo pessoalmente. Só o conhecia pelo rádio mesmo e, ainda, sem saber da existência da companheira que o acompanhou ao longo de sua vida: a velha “mulinha”, um animal de mentira confeccionado com varas finas e leves, com cabeça esculpida em madeira a papelão.

Coberta com tecido colorido, a armação tinha arreios, rabo e duas pernas saindo uma de cada lado, imitando as pernas do cavaleiro. O pé-de-pano foi uma invenção do próprio Tião. Sobre ela, o artista chegou a ser conhecido até no exterior – como mais tarde contou-me em entrevista para o rádio – ao fazer apresentações na Noruega, país onde um dos filhos trabalhava. Falava com orgulho das apresentações que fazia tocando acordeom e se movimentando com a mulinha.

Na entrevista, Tião contou que, ainda em Minas Gerais, tirou do “bumba-meu-boi” a influência folclórica para mais tarde construir a mulinha e ser contratado por Casas Pernambucanas, já no Paraná. Trabalhou por seis anos como propagandista. Gostava muito de adaptar as músicas do Bob Nelson, iô-leri-iô-leri ô-leriii e chegou a se apresentar em várias cidades brasileiras contratado pelas extintas Casas Buri.

Tião da Mulinha se foi e com ele uma atração artística que alegrava adultos e crianças. Entra para a história da cidade como um grande artista e, sobretudo, uma pessoa simples, com muitas amizades e que mantinha sempre um sorriso aberto no rosto. Adeus, Tião, e que os céus o recebam de braços abertos, você e sua mulinha.

Foto: arquivo pessoal da família